segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Silêncios

Não sei lidar com o silêncio.
Ele grita nos meus ouvidos o incerto, o vazio em que tudo cabe, tudo pode.
Quanto cabe num silêncio?
Quanto se diz num silêncio?
Um universo inteiro de possibilidades pensáveis, sentíveis, confundíveis.
Medo, tristeza, desencontro, engano, expectativa frustrada,
ânsia, desajeito, dor,
contentamento, comodidade, segurança,
vergonha, desejo,
incerteza, desconfiança, amarras,
pulo do gato.
Tudo que se esconde no silêncio mói a minha carne.
Agudos penetrantes.
Imóvel, aguardo a tempestade passar.
O desejo devia fazer mais barulho.

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